sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

GÍRIAS NO BLUES (Segunda Parte)




Uma expressão muita curiosa do gênero aparece pelo menos em três canções do pioneiro do estilo, Son House.
São as músicas : Jinx Blues, I Ain't Goin' Cry No More e Special Rider Blues.
Nestas três canções , encontramos o termo " Crepe ou creper "
que numa tradução livre significa : (renda, pano) .
Porém , no blues '' Crepe ou Creper '' como gíria tem uma conotação bem diferente.
Quando esta palavra é empregada no Blues , ela é usada como uma metáfora para descrever pelo menos dois sentidos :


O primeiro para ' um modo vulgar de uma mulher lamentar o fim dos sentimentos por um homem' .
E o segundo simplesmente para ' Demonstração de luto'.

Mais que a expressividade comumente presente no estilo
o emprego contínuo de termos dessa magnitude revela a natureza profunda e extremamente significativa de canções do gênero.


https://www.youtube.com/channel/UCpvocVdlmo430bpJt85Igrg?view_as=subscriber

CLÁSSICOS DO BLUES - BLUES FOR REVEREND KING (George Harmonica Smith)



Os anos sessenta foram um período extremamente difícil para os negros norte Americanos em função da extrema segregação racial e discriminação.


Para combatê-las , Martin Luther King organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei estadunidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Em função de sua incansável luta pelos negros, Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968.

Assim, em homenagem a esse grande Homem, George Harmonica Smith fez uma canção intitulada Blues For Reverend King, anexada ao álbum Of The Blues .Assim como ele, o guitarrista Pee Wee Crayton ao Lado de Big Joe Turner também homenagearam King pela sua extrema importância com a música Martin Luther King Southside anexada ao álbum gravado ao vivo Big Joe Turner with Pee Wee Crayton.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

GÍRIAS USADAS NO BLUES (Primeira Parte)



Além da expressividade e musicalidade encontradas no Blues, outra característica muito presente no estilo, são as gírias usadas por bluesman.
Com o mesmo objetivo com que são usadas as figuras de linguagem (Metáforas, comparações e etc) as gírias, eram usadas pelos artistas com o objetivo de se camuflar a real intenção por trás das letras.

Entre estas expressões ou trocadilhos , vamos encontrar termos usados com conotação lasciva(sexual), outros relacionados à bebida e ainda outros , que mascaravam ferozes protestos a chefes ou governantes.

Nesta primeira, de uma série de postagens , vamos considerar a
Expressão " BACK DOOR MAN/FRIEND " essa gíria usual entre artistas do gênero aparece nas canções ''I Crave My Pigmeat'' com Blind Boy Fuller , também "Back Door Man" com Howlin' Wolf e em "Back Door Friend"com Lightnin' Hopkins.

Esse " termo '' '' Back Door Man/ Friend " aparece nas canções como uma referência ao '' Amante de uma mulher casada'' em '' Back Door Man de Willie Dixon interpretada por Wolf, há pesquisadores que discordam deste entendimento. No entanto, a maioria dos musicólogos e pesquisadores do gênero ,tendem a respaldar a ideia mencionada acima.



sábado, 15 de dezembro de 2018

PAT RUSHING (Little Pat Rushing)




Músico absolutamente obscuro.De sua vida nada se sabe.
Era entretanto, muito atuante na área de comércio hoje extinta da Maxwell Street. Isso é respaldado por amplo material fotográfico , onde aparece ao lado de nomes como Big Walter Horton e Maxwell ' Jimmy Davis ' Street .
Como muitos bluesman, o artista jamais transcendeu a reputação de sideman de nomes do blues, sobretudo os acompanhando na já citada área comercial de Chicago.
Entre o pouco material gravado dele em vídeo, há um documentário de 1978, intitulado : Maxwell Street - Gone Forever | To Touch A Dream (Anexado aqui).
Importante ressaltar que neste mesmo local (Maxwell Street )se exibiram nomes como Robert Nighthawk, Big Walter Horton, Carey Bell, Little Walter, Earl Hooker, Junior Wells, entre tantos outros.(Pat Rushing and Maxwell Street Jimmy Davis,foto).




MAXWELL STREET JIMMY DAVIS



(2 de março de 1925,Mississippi - 28 de dezembro de 1995,Chicago,Illinois )

Como já sugere seu nome artístico, Maxwell Street Jimmy Davis tocou por décadas na antiga área comercial de Chicago da Maxwell Street.
Anteriormente, ele tocara em Detroit com JOHN LEE HOOKER.
Foi HOOKER quem lhe ensinou a tocar guitarra , o que explica a semelhança entre seus estilos e destreza.

JIMMY DAVIS MAXWELL STREET gravou apenas dois discos.
Um em meados dos anos sessenta, durante o apogeu da febre revival do Blues, cujo título levou seu nome pela gravadora Elektra e outro no final dos anos oitenta pelo selo Wolf Records,acompanhado pelos bluesman LESTER DAVENPORT (Harmonica) e KANSAS CITY RED (Percussão).

O Músico era um símbolo da hoje extinta área de Mercado da Maxwell Street.
Seu estilo combinava a execução de uma poderosa guitarra aliada a um vocal forte e provocativo.

DAVIS possuía um restaurante nos arredores que abandonava temporariamente para suas apresentações.

Sua constância na Maxwell Street além de lhe render o apelido como músico, resultou em uma famosa foto publicada na capa da publicação BLUESSPEAK : The Best Of The Original Chicago Blues Annual de 2010.

Apesar da falta de êxito comercial de seus trabalhos e sua não tão grande popularidade, MAXWELL STREET JIMMY DAVIS foi um dos maiores expoentes do Legítimo Blues de Chicago.
Ele morreu em dezembro de 1995.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

CLÁSSICOS DO BLUES - MONEY TREE BLUES (Atribuída a Willie Dixon)



Entre a variada temática encontrada em letras do blues, figuram também canções que exploram o tema "dinheiro" ou problemas associados a ele. Não raro, "Jogatina" outro tema muito explorado no gênero atrelado a ele.


Money Tree de Dixon, tem uma letra muito curiosa cujas expressões permitem vários debates e interpretações:

" My baby she's got a money tree ...
" Meu amor, ela tem uma árvore de dinheiro...

Esta expressão , lembra um "conceito demasiado fantasioso" entre bluesman(s) do Mississippi, de que em Chicago, dinheiro brotava das árvores. Evidentemente , a termologia encontrada no verso, é alegórica, representativa , curiosamente havia quem levasse a coisa ao pé da letra. Vejam o depoimento do bluesman : Shelby Papa Jazz Brown (cantor-violonista):

"Tinham-me dito que em Chicago o dinheiro crescia em árvores, que quando fui lá levei dois grandes sacos para colhê-lo...
Eu estava lá com meus dois sacos e olhava cada árvore para ver se nela cresciam folhas ou dólares. Jamais encontrei dinheiro.
..Fiquei lá 13 anos e depois voltei para casa, em Leland (Mississippi). Chicago, na verdade, é uma cidade dura demais "

Não Obstante, outra expressão encontrada em Money Tree,
De acordo com alguns pesquisadores sugere algo bem diferente. Trata-se do Termo'' Shake '' encontrado no terceiro verso: " If she don't ''shake '' for you, she'll surely ''shake'' for me...
" Se ela não tremer por você, ela certamente tremerá por mim...

Dependo da época , o termo "Shake" encontrado em letras do estilo, poderia ter vários sentidos ,entre os quais: " Festa de Renda,Dança Erótica, podendo ser usado no sentido de abalar e extorquir alguém" .

Musicólogos tendem a concluir que esta Termologia encontrada em Money Tree de Dixon, é sugestiva de "Prostituição" e a "árvore de dinheiro " Sendo o próprio corpo da mulher " que produzia lucros para o seu "senhor ou cafetão".

Eis aqui , mais um caso de uma música de letra ambígua , muito usual no blues, permitindo diversas interpretações.
A versão anexada aqui foi gravada pelo baterista Kansas City Red(Foto ao lado de Louis Myers, Jimmy Rogers e John Littlejohn) e foi incluída no Lp Harmonica Blues Bands(Bring Me Another Half-A-Pint) Barrelhouse Records,em 1976).



quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

CLÁSSICOS DO BLUES - BLUEBIRD BLUES (Atribuída a SonnyBoy Williamsom II)



Outra característica muito presente em clássicos ou não do Blues são a figura de animais , colocados nas letras com uma conotação ilustrativa, Alegórica, muitas vezes como figuras de linguagem, com o objetivo de transmitir mais peso e reforçar os sentidos daquilo que se pretendia expressar.

As expressões "dog" ''Rooster" "alligator" entre outras, muitas vezes aparecem, além do que mencionamos, como uma gíria usual entre os bluesman.

Em Bluebird Blues, a maioria dos pesquisadores tendem a apoiar o " Pássaro triste " como um "mero mensageiro" usado pelo interlocutor para levar seu estado, notícias suas, à sua bem amada distante.

"My bluebird, bluebird, please take this letter down south for me

"Meu Pássaro triste, por favor leve esta carta ao sul para mim

Well, that you can tell her I'm up here in St. Louis but these times is awful doggone hard ...

Bem, diga a ela que eu estou aqui em St.Louis mas esses tempos são absolutamente difíceis"...

Como um mensageiro de más notícias , o pássaro não poderia ser senão triste, esta é a ideia transmitida pelo Termo (Blue 'Triste,Bird 'pássaro).

Em outros casos, como em "Red Rooster Blues" de Willie Dixon além do sentido alegórico , uma referência a uma lenda sobre um galo que teria salvado todo o curral, é usado como "Figura de Linguagem" E há quem defenda que foi usado como um símbolo fálico , porém , há ampla oposição a esse entendimento.

A gravação postada aqui é de um bluesman obscuro: Sonny Boy McGhee, a adoção do nome de Sonny Boy , evidentemente aludindo a sua admiração talvez pelos dois Sonny Boys (John Lee Curtis e Rice Miller).

A música foi anexada em 1975 no Lp Harmonica Blues Bands (Bring Me Another Half-A-Pint ,Barrelhouse Records).